Um encontro extraordinário marcou um curso de mergulho em apneia no litoral de São Paulo, quando um grupo de praticantes se deparou com uma majestosa baleia jubarte (Megaptera novaeangliae). O incidente, que ocorreu no Parcel do Una, em Peruíbe, gerou momentos de surpresa e emoção intensa para os mergulhadores. A presença inesperada da gigante marinha transformou uma rotina de aprendizado em uma experiência inesquecível, culminando em registros impressionantes, incluindo um vídeo onde um instrutor chega a se desequilibrar. Este evento realça a rica biodiversidade da costa paulista e a imprevisibilidade da vida selvagem marinha, proporcionando uma janela rara para o comportamento das baleias jubartes em seu habitat natural.
Encontro inesperado no Parcel do Una
A surpresa da baleia jubarte e o susto do instrutor
No domingo, 17 de março, o mar aberto do Parcel do Una, na costa de Peruíbe, a aproximadamente 20 metros de profundidade, tornou-se palco de um acontecimento notável. Edson Maximovitch, de 47 anos, proprietário de uma escola náutica, liderava um curso de mergulho em apneia a bordo de uma embarcação com seis outras pessoas. A tranquilidade da atividade foi subitamente quebrada pela aparição de uma criatura monumental. Inicialmente, Maximovitch, ao avistar a forma escura e gigantesca na superfície, chegou a confundi-la com um tronco de árvore. “Falei: ‘olha o tamanho daquela árvore'”, relembrou ele.
No entanto, a dúvida durou pouco. Em questão de segundos, um jato d’água emergiu da superfície, revelando a verdadeira identidade do “tronco”: uma imponente baleia jubarte que subira para respirar antes de mergulhar novamente. A emoção e o espanto tomaram conta da equipe. A baleia permaneceu nas proximidades por alguns minutos, oferecendo vislumbres fugazes de sua grandiosidade. Maximovitch tentou registrar os momentos com seu celular, uma tarefa desafiadora devido à rapidez com que o animal aparecia e desaparecia. “Teve vários momentos que dava para filmá-la mais, e a gente não estava esperando ela aparecer, então até pegar o celular “, explicou.
Em uma dessas tentativas de captura de imagens, o barco balançou inesperadamente, e o instrutor acabou caindo na água. Numa reação instintiva para proteger seu aparelho, ele conseguiu arremessar o celular de volta para dentro da embarcação, evitando que o equipamento caísse no mar. Apesar do susto, a adrenalina daquele instante apenas intensificou a experiência. Posteriormente, Maximovitch utilizou um drone para obter uma perspectiva aérea única, conseguindo registrar uma fotografia da baleia próxima ao barco. Embora a aparição para a foto tenha sido breve, o resultado foi uma imagem impressionante que eternizou o encontro. “Ela apareceu um momento só, mas foi muito rápido e tirou uma foto ali, mas foi muito rápido. Ela sobe, respira e desce, mas foi bem legal, foi bem emocionante”, descreveu.
Perspectiva científica e a curiosidade das jubartes
Características da espécie e sua presença no litoral paulista
Para compreender a magnitude e o significado desse avistamento, é fundamental analisar as características da baleia jubarte. De acordo com o biólogo marinho Eric Comin, as baleias da espécie Megaptera novaeangliae são mamíferos marinhos que podem atingir impressionantes 16 metros de comprimento e pesar até 40 toneladas. Esses gigantes dos oceanos são conhecidos por suas longas migrações, percorrendo águas de todo o planeta.
Na região da Baixada Santista e no litoral paulista, as jubartes são visitantes frequentes, geralmente avistadas entre os meses de abril e setembro. Este período coincide com sua rota migratória para águas mais quentes, onde se reproduzem e criam seus filhotes. Um aspecto particularmente interessante do comportamento das jubartes, destacado pelo biólogo, é a curiosidade dos indivíduos jovens da espécie. Diferente dos adultos, que podem ser mais cautelosos, os filhotes e juvenis muitas vezes demonstram uma maior propensão a se aproximar de embarcações e de seres humanos. Comin enfatiza que “isso é muito legal”, pois a baleia “vem tranquila observar os mergulhadores”, sugerindo uma interação pacífica e investigativa por parte do animal. Esses encontros, embora raros e imprevisíveis, servem como um lembrete vívido da rica biodiversidade marinha que habita as águas costeiras do Brasil e da importância de sua preservação.
Repercussões e o chamado para a conservação
O encontro com a baleia jubarte no litoral de São Paulo transcende a esfera de uma simples curiosidade. Ele se configura como um testemunho da exuberância da vida selvagem marinha e da emoção que esses encontros podem proporcionar. Para Edson Maximovitch e seus alunos, a experiência será, sem dúvida, uma memória inesquecível, reforçando o respeito e a admiração pela natureza. O registro em vídeo e fotos serve não apenas como prova do ocorrido, mas também como uma ferramenta para sensibilizar um público mais amplo sobre a presença dessas magníficas criaturas em nossas costas. Tais avistamentos nos convidam a refletir sobre a importância da conservação dos oceanos e de seus habitantes, garantindo que futuras gerações também possam ter a oportunidade de testemunhar a beleza e a majestade das baleias jubartes em seu ambiente natural.
Perguntas frequentes
Com que frequência baleias jubarte são vistas no litoral de São Paulo?
As baleias jubarte são visitantes sazonais do litoral de São Paulo, com maior probabilidade de avistamento entre os meses de abril e setembro. Este período corresponde à sua rota migratória. Embora não sejam avistamentos diários, são ocorrências regulares durante essa janela, especialmente de indivíduos mais jovens e curiosos.
É perigoso encontrar uma baleia jubarte durante o mergulho?
Em geral, não é considerado perigoso. Baleias jubarte são animais pacíficos e curiosos, especialmente os juvenis. No entanto, é crucial manter uma distância segura, evitar movimentos bruscos ou barulhos altos que possam assustar ou estressar o animal. O respeito ao seu espaço natural é fundamental para a segurança mútua.
O que fazer ao avistar uma baleia em mar aberto?
Ao avistar uma baleia, o mais importante é observar com respeito e a uma distância segura, geralmente dezenas de metros, conforme regulamentação ambiental. Evite abordagens diretas, não tente tocar no animal e nunca interfira em seu comportamento natural. Desligue motores de embarcações ou reduza a velocidade, se possível, e aproveite o espetáculo da natureza.
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Fonte: https://g1.globo.com


