Ex-prefeito de Cubatão denunciado por estupro justifica com álcool e “química”

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O ex-prefeito de Cubatão, Ademário da Silva Oliveira, de 53 anos, encontra-se no centro de uma grave denúncia formulada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP). Acusado de estupro contra uma servidora pública, o político teve seu nome associado a um episódio ocorrido em outubro de 2020, durante o último ano de seu primeiro mandato como chefe do Executivo municipal. O caso, que corre sob segredo de Justiça para proteger a identidade da vítima, ganhou contornos ainda mais polêmicos com as justificativas atribuídas a Oliveira em uma gravação, onde ele alegaria consumo de bebida alcoólica e uma suposta “química sexual” para o ato. A defesa, por sua vez, reitera a inocência do ex-prefeito e questiona o longo intervalo entre os fatos e a formalização da denúncia.

A acusação de estupro contra Ademário Oliveira

Ademário da Silva Oliveira, ex-prefeito de Cubatão, foi formalmente denunciado pelo Ministério Público de São Paulo por estupro de uma servidora pública. A denúncia detalha um incidente que teria ocorrido em outubro de 2020, período em que Oliveira exercia o cargo de prefeito. O processo, que busca preservar a integridade e a privacidade da vítima, tramita sob segredo de Justiça, o que significa que o nome da denunciante não será revelado publicamente. A acusação, apresentada à 3ª Vara Judicial da cidade, descreve atos de constrangimento e violência, com a vítima sendo forçada a permitir atos libidinosos.

Os detalhes da denúncia do Ministério Público

Conforme o relato contido na denúncia do MPSP, o episódio teria acontecido durante uma festa de aniversário da servidora municipal. O ex-prefeito aguardava para usar o banheiro quando a vítima saiu de uma das cabines. A denúncia aponta que Oliveira, “aproveitando-se da situação, empurrou bruscamente a ofendida para dentro da cabine e, com o uso de força física, levantou o vestido da vítima e passou a acariciar seus seios, pernas e nádegas, tudo contra a vontade da ofendida”. Para conseguir se desvencilhar do agressor, a mulher teria precisado usar força física. Uma gravação feita pela vítima foi anexada ao processo como evidência. Nesse áudio, Oliveira teria atribuído a responsabilidade pelo ocorrido ao consumo de bebida alcoólica e sugerido a existência de uma “química sexual” entre ambos como justificativa para o suposto ato cometido no aniversário da funcionária.

A defesa do ex-prefeito e os questionamentos levantados

Em resposta à denúncia, o escritório Octavio Rolim Advogados Associados, responsável pela defesa de Ademário Oliveira, emitiu uma nota afirmando que as declarações seriam prestadas “com a devida cautela e reserva”, em virtude do segredo judicial. A defesa enfatiza que, apesar da denúncia oferecida pelo Ministério Público, as investigações conduzidas pela Polícia Civil não resultaram no indiciamento do ex-prefeito. Os advogados declaram “de forma categórica e inequívoca a inocência de Ademário”, ressaltando que o julgamento da questão caberá exclusivamente à Justiça. Um ponto levantado pela defesa é o lapso temporal entre os fatos e a denúncia. Os advogados apontam que “os fatos objeto da denúncia datam do ano de 2020, tendo sido levados ao conhecimento das autoridades competentes somente em 2025”, circunstância que, segundo eles, será devidamente esclarecida no curso do processo.

A trajetória política e o histórico de controvérsias

Ademário da Silva Oliveira, de 53 anos, apresenta-se publicamente como um homem casado, pai e avô. Sua carreira política em Cubatão é marcada por uma ascensão progressiva até o cargo máximo do Executivo municipal. Filiado ao PSDB, Oliveira iniciou sua trajetória disputando a vereança em 2000 e 2004, obtendo a posição de suplente em ambas as ocasiões. Após uma tentativa sem sucesso em 2008, ele conquistou um marco importante nas eleições de 2012, tornando-se o vereador mais votado da cidade.

Ascensão e desafios na vida pública de Cubatão

A consolidação de Ademário Oliveira na política de Cubatão veio em 2016, quando disputou a prefeitura pela primeira vez e venceu com 41,53% dos votos válidos. Em 2020, ele foi reeleito para um segundo mandato, obtendo 41,50% dos votos. Impedido de concorrer a um terceiro mandato consecutivo, Oliveira conseguiu eleger seu sucessor, César Nascimento (PSD), nas eleições de 2024, demonstrando sua influência política na cidade. No entanto, sua gestão e trajetória foram pontuadas por diversas controvérsias e denúncias que geraram repercussão pública e investigações.

Acusações passadas e embates políticos

Durante seus mandatos, Ademário Oliveira esteve envolvido em diversas polêmicas. Em 2020, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) teve que desmentir o então prefeito, que se apresentava como advogado nas redes sociais, embora possuísse apenas graduação em Direito e registro como estagiário na OAB, válido entre 2006 e 2008.

Dois anos depois, em 2022, um relatório da Polícia Federal (PF) apontou irregularidades significativas em um contrato firmado em 2017 entre a Prefeitura de Cubatão e a Organização Social Instituto de Medicina, Saúde e Vida (IMSV). Segundo o documento, R$ 2,7 milhões teriam sido desviados dos cofres públicos. A OS foi contratada sem licitação, por um valor de R$ 6,9 milhões, a pedido do então prefeito. Em decorrência dessa investigação, Oliveira foi indiciado por associação criminosa, dispensa irregular de licitação e apropriação de dinheiro público.

No mesmo ano de 2022, a Câmara Municipal de Cubatão rejeitou dois pedidos de impeachment contra Ademário Oliveira. Um dos pedidos baseava-se em acusações de ofensas e irregularidades contra o vice-prefeito e um vereador, enquanto o outro alegava um suposto crime de responsabilidade pelo uso de espaço público e a presença de crianças em propaganda pré-eleitoral. Ambos os pedidos foram arquivados na época.

Entendendo o crime de estupro na legislação brasileira

A legislação brasileira referente ao crime de estupro passou por modificações importantes. Desde 2009, com a alteração do Código Penal, não é mais necessária a penetração para que um ato seja configurado como estupro. O artigo 213 do Código Penal define estupro como “Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso”.

A pena para o crime de estupro varia de seis a dez anos de prisão. Contudo, essa pena pode ser aumentada em até 50% quando o agressor ocupa uma posição de autoridade, hierarquia ou ascendência sobre a vítima, como é o caso de um empregador ou figura pública em relação a um servidor. A tipificação abrange uma ampla gama de atos libidinosos que são praticados contra a vontade da vítima, reforçando a proteção da liberdade sexual individual. O segredo de Justiça, como aplicado neste caso, é uma ferramenta legal importante para proteger a intimidade e a segurança da vítima durante o processo.

Conclusão

A denúncia de estupro contra o ex-prefeito de Cubatão, Ademário Oliveira, eleva a um novo patamar as controvérsias que pontuaram sua carreira política. Enquanto o Ministério Público detalha um ato de violência e constrangimento, com o acusado supostamente atribuindo o ocorrido a álcool e “química sexual”, a defesa veementemente nega as acusações, apontando para a ausência de indiciamento policial e o tempo decorrido entre o fato e a formalização da denúncia. O caso, agora sob apreciação judicial e resguardado por segredo de Justiça, confronta a trajetória de um político influente com a gravidade de um crime contra a dignidade sexual. Os desdobramentos prometem ser acompanhados de perto, à medida que a Justiça analisa as provas e argumentos apresentados por ambas as partes.

FAQ

Quem é Ademário Oliveira?
Ademário da Silva Oliveira é um político brasileiro, ex-prefeito de Cubatão, São Paulo. Ele cumpriu dois mandatos como prefeito da cidade, de 2017 a 2024, e antes disso foi vereador.

Qual é a principal acusação contra ele atualmente?
Ademário Oliveira foi denunciado pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) por estupro contra uma servidora pública, com base em um incidente que teria ocorrido em outubro de 2020.

Qual a posição da defesa de Ademário Oliveira em relação à denúncia?
A defesa de Ademário Oliveira nega as acusações, reitera a inocência do ex-prefeito e questiona o longo período entre a data dos fatos (2020) e a formalização da denúncia (2025), além de destacar que ele não foi indiciado pela Polícia Civil.

O que a lei brasileira diz sobre o crime de estupro neste contexto?
De acordo com a legislação brasileira (desde 2009), o crime de estupro não exige conjunção carnal, abrangendo qualquer ato libidinoso praticado mediante violência ou grave ameaça. A pena varia de seis a dez anos, podendo ser aumentada em 50% caso o agressor ocupe posição de autoridade sobre a vítima.

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Fonte: https://g1.globo.com

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